
Seguindo o que disseram em entrevista concedida ao portal Terra, integrantes brasileiras do grupo feminista Femen
realizaram, na noite desta terça-feira (8), um protesto contra a Casa de Vidro,
ambiente criado no shopping Parque Santana, na zona norte de São Paulo, para
classificar os últimos dois participantes da 13ª edição do Big Brother
Brasil.
Por volta das 21h30, Sara
Winter, Anna Steel e Amanda Roseo-Alba chegaram ao local procurando mostrar
discrição. No entanto, seguranças foram logo alertados para o propósito delas
no centro de compras e as acompanharam passo a passo por seus corredores. Ao se
aproximarem da Casa de Vidro, as três correram, cada uma para um lado, e
tiraram as blusas, exibindo em seus corpos frases como "acorda povo".
Winter, Steel e Alba iniciaram
o protesto apenas dez minutos depois de chegarem. Entre o desvio dos seguranças
e a captura não se passou mais de 1 minuto. Após deixarem os seios à mostra,
cada uma foi agarradas por profissionais da equipe, tendo as cabeças cobertas
por um pano preto e sendo levadas ao chão. Na sequência, as três foram
encaminhadas a uma sala. De lá pôde-se ouvir gritos indignados das garotas,
posteriormente apreendidas por policiais militares e redirecionadas ao 72º DP,
localizado na Vila Penteado, zona norte da capital paulista.
A assessoria de imprensa do
shopping disse ao Terra que já estava ciente do protesto depois de ter sido
divulgado pela imprensa e confirmou ter alertado os seguranças quando
reconheceu as integrantes do grupo. "Mas eles ficaram apenas monitorando
as meninas, tanto é que elas só agiram quando os profissionais da equipe não
estavam por perto", ressaltou.
O assessor de Sara Winter
afirmou desconhecer o desenrolar da detenção ocorrida após o protesto, já que
os telefones celulares de suas clientes estavam impossibilitados de receber
ligações - o Terra tentou contato com Sara Winter, mas o aparelho foi
atendido por um homem, que o desligou na sequência. No entanto, ele disse que,
na última ação do grupo, as meninas ficaram detidas apenas por cerca de
"três ou quatro horas e logo foram liberadas".
No início da tarde desta
terça, Sara Winter anunciou que ela e outras duas integrantes do Femen fariam,
em frente à Casa de Vidro, um protesto com o objetivo de "despertar a
reflexão das pessoas". A ativista explicou a ação, dizendo ter ficado
espantada ao descobir que seis pessoas estavam expostas, 24 horas por dia, no
meio de um shopping paulistano.
"É bizarro, parece um
zoológico. Há uma mobilização nacional para esse tipo de programa, mas
precisamos chamar a atenção para o povo brasileiro reagir a problemas muito
mais relevantes, como os sistemas de saúde e educação, que estão falidos, além
da fome e da miséria", disse aoTerra.
Winter ainda explicou que o
motivo de fazerem topless no protesto é causar choque, cuja consequência,
segundo ela, "estimula as pessoas a reagirem, a reservarem alguns segundos
do dia para pensar. É um trabalho de longo prazo, pois é de mudança de
cultura".
Fundado em Kiev, na Ucrânia,
em 2008, o Femen ficou mundialmente conhecido por utilizar o topless de suas
jovens integrantes para chamar a atenção para protestos contra o turismo sexual
e o sexismo na sociedade. A organização diz ter como objetivos
"desenvolver as lideranças, o intelecto e as qualidades morais das
mulheres jovens na Ucrânia, a fim de construir a imagem do país como um lugar
com grandes oportunidades para o sexo feminino".





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